terça-feira, 17 de março de 2015

Pontinha de Inveja

Então ainda ontem estava a escrever sobre a Gisele Bundchen e hoje recebo a notícia de que a miúda vai reformar-se?
Pois é! Não é para qualquer um, não senhora! Com esta idade, com este corpinho maravilhoso, com esta carinha laroca e com esta conta bancária tão simpática, a lady vai fazer o último desfile da sua carreira em S. Paulo, durante o mês de Abril. Não vou mentir. Estou a roer-me de inveja. E, de forma aleatória, sem qualquer ordem específica, enumero as razões para esta invejinha toda (e não venham cá dizer-me que é feio ser-se invejoso. Eu sei que é, mas não resisto!):
- Corpo - Esta mulher, mãe de dois filhos, tem um corpo invejável. Não sei se é dieta rigorosa, retoques cirúrgicos, exercício físico de morrer. Sei lá! E o que interessa isso? Ela é maravilhosa! Ponto! Não é caso para uma pontinha de inveja? É!!
- Carinha laroca - Não é gira todos os dias? Esta é daquelas que deve acordar gira, fresca, pronta para sair de casa. E olhem que isso é ser-se bonita! Eu confesso que preciso de produção diária para sair de casa. Não é assim só levantar e vamos embora! Mantém-se a pontinha de inveja!
- Simpatia da conta bancária - Ora bem, não vou dizer que não era preciso tanto... Era! Era! Ok! O dinheiro não traz felicidade? Está bem. Directamente não traz, mas dá cá uma ajuda... Desculpem, mas já agora que não viesse apenas metade, que viesse tudo, porque eu tenho onde gastá-lo. É das coisas que mais tenho para fazer. Nem precisava de me esforçar muito. Gosto do que é bom. E o que é bom, costuma ser caro! Easy!
 
Muito bem, nesta fase, e juntando todas as pontinhas de inveja que se acumularam nas últimas frases, estou carregadinha de inveja da rapariga. Até porque se avizinham ainda longos anos de trabalho até que possa chegar à minha reforma miserável, se ainda houver nessa altura!

Além do mais, ao longo da minha (ainda curta) vida, já tive que me habituar a viver sem a Cindy Crawford, a Claudia Schiffer, a Linda Evangelista, a Naomi Campbell, nas passerelles. Como sobrevivemos agora à reforma da Gisele? Não sei! Mas vai ser difícil. Para nós, porque para ela a vida vai começar!!!!!

P.S. Pensei juntar aqui uma fotografia da Gisele, mas ficam com a minha do casulo que já está bom!!

segunda-feira, 16 de março de 2015

O dia depois da Corrida

Não sei se estão lembrados de ter dito que não me tinha preparado minimamente para a Corrida do Dia do Pai. Mas assim foi. E apesar das dificuldades, acabei. E passei o dia tranquilamente. Sem dores. Sem picadas nos músculos. E deitei-me ao final do dia. E dormi... Mal, por sinal (o littel P. não nos deu uma noite tranquila)! E de manhã... Bom, de manhã não conseguia sequer mexer-me. Aiiiiii que dores nas pernas, nas nádegas, nos abdominais... Quem mandou ir correr sem treinar? Quem foi?


Burra! Que me sirva de lição! A mim e a todos! Nada de fazer provas sem treino.


Hoje, passeei o Loubie! Amanhã há corridinha leve para colocar estes músculos no lugar!


Toca a mexer, people!

A dieta prometida

Ora bem, prometi e cumpro!


Como sabem, depois do little P. ter nascido e eu ter tomado consciência que precisava de uma dieta séria, recorri a um nutricionista. Estava ainda a amamentar e não podia, MESMO, fazer asneiras ou dietas malucas. Por isso, o que vou escrever aqui é fácil de fazer e qualquer pessoa sem problemas de saúde pode fazer. Ainda assim, há alguns aspectos básicos a ter em consideração quando se toma uma decisão destas.
1. Há que ter em atenção a nossa saúde quando decidimos iniciar uma dieta. Está tudo bem connosco? As análises estão com valores normais? Não temos necessidades especiais? Sentimo-nos bem?
2. É mesmo isto que queremos? Quais são as razões que nos levam a querer iniciar uma dieta? A motivação que temos é meio caminho para o sucesso!
3. Vamos lá traçar objectivos. Não, minhas queridas! Nenhuma de nós vai ficar a Giselle Bundchen de um dia para o outro. Nem tão pouco no final da dieta. O segredo é traçarmos objectivos possíveis de concretizar. Emagrecer 10 kgs deixar-me-ia melhor que bem, mas para quê impor isso a mim própria se sei que não vou conseguir? A sensação de fracasso estragaria tudo. Não, para já, bastam-me mais 5 kgs.
4. Um dos segredos de uma dieta bem sucedida é a variedade. Depois de perceber o "esquema" básico da dieta, há que conseguir variar os alimentos ao máximo. Assim não nos cansamos tão cedo.
5. Fazer dieta não significa comer coisas sem sabor ou más. Significa saber comer cada vez melhor.
6. Transformar a dieta num modo de vida ao longo do tempo.
7. Exercício físico. Não sou louca para vos dizer para correr 10 kgs sem treinar (como eu fiz ontem). Basta que se mexam. Uma caminhada, um passeio com o cão, uma aula de zumba, dança, um passeio à beira-mar. O segredo é não parar! ok?


Vamos lá a isto então:


JEJUM:
Há anos que bebo um copo de água morna/quente com sumo de meio limão mal acordo. Quando não tenho limão, bebo a água morna/quente simples. O corpo limpa e funciona melhor! Acreditem, é verdade!


PEQUENO-ALMOÇO:
- 1 iogurte sem lactose ou 1 activia 0% ou 1 iogurte baixo índice glicémico
       +
- 2 tostas sem sal ou 2 colheres de sopa de fitness ou 2 colheres de sopa de all bran ou 2 colheres de sopa de aveia
       +
- 1 kiwi ou 1 fatia de papaia ou 1 fatia de ananás ou 1 pêra ou frutos vermelhos ou morangos


Depois disto também tomo um café.


MEIO DA MANHÃ:
- 2/3 bolachas Maria sem glúten/sem açúcar ou 1 gelatina ou 1 maçã ou 1 pêra ou maçã desidratada ou 1 benecol com sementes
        +
- Chá ou café ou limonada


ALMOÇO:
- Peixe ou Lulas ou Frango ou Perú ou Pato ou Vitela ou Polvo (sem as ventosas dos tentáculos) ou Queijo fresco ou Omelete (2 claras e 1 gema)
        +
- Salada ou Legumes
        +
- Massa ou Arroz (CASO HAJA TEMPO PARA EXERCICIO. SENÃO, SÓ LEGUMES OU SALADA)


1º LANCHE:
- Cevada ou Iogurte Natural com doce Dalfour ou Chá ou Iogurte sem lactose
       +
- Flocos de Aveia ou Fitness ou Semente de Chia ou Linhaça
       +
Extra - Frutos vermelhos ou papaia


2º LANCHE:
- Maçã ou Pêra ou cenoura crua ou fiambre de perú (sementes de girassol)


JANTAR:
- Sopa de Legumes
        +
- Salada ou Legumes
        +
- Peixe ou Medalhões de Peixe ou Omelete (2 claras e 1 gema) ou Legumes chineses e soja ou Lulas ou Queijo Fresco ou Atum natural ou Cogumelos


Durante o dia e fora das refeições, beber 1,5 lt de água ou chá sem açúcar.
Não repetir alimentos durante o dia. Se comermos pêra de manhã, não vou repetir essa fruta à tarde. Ou se comer omelete ao almoço, não vou fazer o mesmo ao jantar. Este é o esquema básico. Depois de começar é muito fácil variar para não ficarmos cansadas de comer sempre a mesma coisa. Eu faço cogumelos recheados de legumes. Tanto como bróculos, como grelos salteados em azeite e alho. Tanto faço salada, como misturo todos os legumes que tenho no frigorífico e cozinho-os no forno com azeite e ervas. VARIAR! Esse é o segredo. Já falei em variar??


Espero ter ajudado. Esta dieta levou-me a perder 20 kgs. Foi esta dieta que reiniciei agora. Engordo com muita facilidade e o Natal, as reuniões, o stress e a falta de tempo fizeram-me ganhar alguns kgs. Como esta dieta é fácil, recomecei.


Se precisarem de alguma coisa, sabem onde encontrar-me!


Beijos

Corrida do Dia do Pai... 10 kms nas pernas e na cabeça!

15 de Março de 2015. Corrida do Dia do Pai.
Se bem se lembram, fiz os meus primeiros 10 kms na Corrida de S. Silvestre, em Dezembro de 2014. Nessa altura tinha passado por uma infecção respiratoria tramada e não estava tão preparada como pretendia. Ainda assim, fiz a prova, terminei, orgulhosa de mim própria. Confesso que pensei que por esta altura, três meses depois, já faria mais 10 kms na maior das calmas. Mas enganei-me.
Este início de 2015 tem sido caótico e os treinos são a primeira coisa a descartar quando preciso de tempo para fazer o que me faz falta. E quando não treino um dia, dois dias, três dias, o meu corpo volta a relaxar e reiniciar passa a ser um calvário. E o tempo vai passado. As semanas correm e nunca mais fico em forma. 
Eu queria fazer esta prova. E, por isso, sem treinos de corrida e com poucos treinos de elíptica, resolvi ir correr hoje. 
Comecei entusiasmada. Ritmo certo. Sem esforço. O calor incomoda-me. Confesso que prefiro correr pela fresquinha do fim do dia ou da noite, do que quando o sol aquece. O calor incomodou-me. Mas, ainda assim, sabia que conseguiria fazer a prova, desde que mantivesse o ritmo certo, que, apesar de lento, me daria a capacidade de terminar sem grandes sacrifícios.
Cheguei ao km 3 e o joelho começou a doer... Pois é segundo erro do dia. O primeiro é querer correr sem treinar! ERRADO! ERRADO! ERRADO! O segundo é começar a correr quase sem aquecer ou alongar. MAIS ERRADO, MAIS ERRADO, MAIS ERRADO! A pressa de chegar a Matosinhos, estacionar o carro, deixar os miúdos com o padrinho do little P. durante a corrida, etc, etc, etc, fizeram-nos chegar em cima da hora e não houve tempo para nada. ERRADO again! Não se começa a correr sem aquecer e alongar. E o meu joelho esquerdo disse-me isso ao km 3. Aguentei mais um pouco, até que tive que ser sensata, admitir o meu erro e parar! Disse ao meu marido e ao meu primo para continuarem. Iria ficar ali. "Sem stress. Vão! Eu fico! Força!" E fiquei. Alonguei. Alonguei. Alonguei. Massajei ligeiramente o joelho. O outro também. E tomei a decisão. Se voltasse para trás, tinha pela frente mais 3,5 kms. Se continuasse, tinha mais 6 kms. Será que não conseguiria? Decidi continuar. Primeiro a caminhar. Depois corri. O joelho mandou-me parar outra vez. Caminhei. Voltei a correr. E o danado do joelho ainda me obrigou a parar outra vez. Caminhei... E nisto o tempo e os kms iam passando. Tinha que conseguir. Desistir não era opção. Caminhava e pensava no que escreveria aqui. Que tinha desistido? Que não tinha sequer caminhado o percurso todo? NÃO! Não podia escrever isso. Tinha que conseguir. Por mim, por quem lê e quer tentar também, pelo meu pai, que estava orgulhoso a ver-me a decidir. Decidi que hoje este texto seria sobre força de vontade. Sobre determinação. Sobre a capacidade infindável que temos quando desejamos mais que tudo. Hoje este texto deixar-me-ia orgulhosa de mim própria outra vez, tal como na S. Silvestre, independentemente do tempo que levasse a chegar ao fim.
Continuei. Vi o meu primo a descer a Avenida da Boavista. Não consegui ver o meu marido. Mas não podia desistir. Corri. Depois de já ter passado o km 8, o meu marido ligou-me. "Já acabei. Onde estás, para ir ter contigo? Estás melhor?" Atendi sem parar de correr. Contei-lhe! Já estou a chegar. 1 km e uns trocos e já aí estou para receber a medalha. E assim foi. Corri, sem objectivo de tempo. Isso ficou nos 3 kms. Corri consciente dos erros que tinha cometido e que podiam ter comprometido tudo. Corria feliz quando comecei a descer a Circunvalação e já via os primeiros corredores a passarem com a medalha ao peito. Estava perto. Faltava pouco e eu era capaz. 
Quando corro, não vejo nada nem ninguém. Vou a curtir a minha música. Tão simples quando isto. Hoje os Linkin Park acompanharam-me. E lá corria eu ao som de "Numb" quando decidi olhar para cima (faltava muito???!?) e vi 1:11:.. A sério? Como era possível? Na S. Silvestre não parei e fiz mais. Será que consigo? Sim. Consegui. 1:11:42. Este foi o tempo quando passei a meta. Com isto, por favor, não quero que pensem que sou a super-mulher. Não! Este tempo foi uma merda. Hoje tive a certeza que com treinos e aquecimento teria feito em pouco mais de 1h. Ou até mesmo 1h. Mas, eu não desisti, mesmo quando o joelho me mandava parar. A minha cabeça venceu. Hoje superei-me. Hoje soube que vou conseguir. E hoje sei que a próxima será muito melhor. Já está marcada. E terça-feira já há treino marcado. Foi uma corrida digna do nome. Corrida do Dia do Pai. E quando acabou, fui depressa, bem depressa, abraçar o little P., o abraço que o meu pai me teria dado na meta! 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Coisas dignas de partilha

Este início de Março tem sido uma loucura. O Pedro já tinha começado a andar em Fevereiro, mas subir as escadas em Março estava completamente fora do alcance da minha tão modesta imaginação. De facto os miúdos surpreendem-nos a cada segundo que passa. Hoje o meu marido ligou-me, num misto de euforia e surpresa. Abriu as grades das escadas e esteve a observar o que o Pedro faria. Subiu as escadas. Ponto! E que pena que eu não estava lá. E que bom para ele. Senão teria agarrado no miúdo, com tanta força e com tantos beijos carregados de orgulho que ele até ía ficar chateado!!! Também já diz papá e mamã. E aqui, confesso com tristeza, o pai ganha. Ontem à noite, depois de ter que administrar-lhe um supositório para baixar a febre, trouxe-o para a nossa cama. E quando apaguei a luz, ele começou "Papá! Papá! Papá!" Fiquei triste, é certo! Mas depois de um supositório, não posso ficar à espera que o amor seja igual! Ahahahahahah (tenho que ponderar a hipótese de ser o pai a tratar dos supositorios...) Também já diz pão, mas raramente e só mesmo quando lhe apetece. Em primeiro lugar porque sabe que tem sempre o dito cujo pão à disposição. Em segundo lugar, porque sabe que à segunda tentativa eu desisto de chateá-lo e dou-lhe o pão. Quero lá saber. Desconfio que ele vai ser um tagarela. Por isso tenho tempo!
Acho também que não tinha partilhado que vou a NYC em Setembro. Para quem me conhece sabe que não é a primeira vez, mas é como se fosse. Ahhhhhhhh como eu amo aquela cidade. Já comecei a imaginar a lista de coisas que quero comprar. Desisti entretanto. Fiquei cansada! Até porque desta vez há mais uma pessoa contemplada. O Pedro, pois claro. Vai ser uma desgraça!
No próximo Domingo vou fazer a Corrida do Dia do Pai no Porto. Confesso que não estou bem preparada. Tenho tido alguns obstáculos aos treinos e muita falta de tempo. Mas vou na mesma. Porque eu mereço ir. E porque não quero desistir. Isto é um estilo de vida que quero mesmo implementar. Estou com mais dificuldades em fazê-lo do que imaginei inicialmente, mas não vou desistir! Não vou! Borboleta nunca desiste e consegue sempre o que quer! Tenho dito!
Comecei uma dieta há uns dias. A mesma que fiz quando estava a amamentar. O cansaço e o stress são de tal ordem que o impacto do início da dieta no meu corpo me fez ficar de cama no fim de semana. Fiquei K.O. Como nunca me tinha sentido. Apesar disso não desisti. Estou a ingerir mais hidratos do que a dieta inicial prevê, mas estou recuperada e já com forças para voltar aos treinos e fazer a corrida no Domingo!
E no Domingo, precisamente nesse dia, o Matias faz 5 anos. Sim, sim! O Matias cujo nascimento partilhei aqui. O Matias, meu sobrinho e afilhado. O mesmo Matias que me deixou apaixonada por um bebé pela primeira vez na vida. O meu querido Matias já vai fazer 5 anos. Já escolheu o presente dele. E já está em casa à espera de Domingo, para poder entregar-lhe e ver o sorriso! Domingo é dia de festa!

Partilha feita! Desejo cumprido!

terça-feira, 10 de março de 2015

Dia da Mulher

Este é sempre um assunto muito delicado. Por um lado temos as feministas convictas, que festejam euforicamente o dia. Por outro temos aquelas que não ligam nenhuma ao dia. 
Sempre me incluí neste último grupo. De forma racional. Com muita ponderação. Sempre achei que não tinha nada que festejar a discriminação. Sempre vi o dia assim. E quem quer tratamento igual não devia fazê-lo também.
Este ano tudo mudou. Será que tal se deve ao facto de ser mãe? Não sei! Mas mudei de opinião. A verdade é que não mudei o facto de achar que não tenho nada para festejar. Mas acho que devemos falar da mulher, da sua condição. Enquanto houver uma mulher que não seja livre, devemos falar disso (mulher, homem, criança, novo, velho...). A verdade é que eu tenho uma vida normal. Trabalho, saio, viajo, sou proprietária, falo, penso, sinto, sem necessidade de autorização. Tenho um marido que divide as tarefas domésticas comigo. Que divide o trabalho com o nosso filho. Para mim, tenho uma vida normal. Nunca conheci outra. Mas... Mas... Ainda há mulheres que não podem dizer o que pensam. Não podem sair quando lhes apetece. Não trabalham. Ou se trabalham, não controlam o seu dinheiro. Enfim! Para nem mencionar aquelas que são vitimas. Vítimas de palavras, acções, agressões. Não podemos esquecer que vivemos num país livre há 40 anos. Mas ainda hoje há mulheres a morrer porque o marido ou o companheiro as mata! E não podemos ser indiferentes. E por isso, este ano, não festejei. Mas pensei muito nisso. E falo hoje pela primeira vez. E digo CHEGA! Todos merecem ser livres. Não interssa se são mulheres, homens, crianças. Não interessa a raça, a religião. É a condição humana que interessa. É nisso que devemos focar a nossa vida. É isso que quero ensinar ao meu filho. Ponto!
Eu, enquanto mulher, mãe, cidadã livre, apoiarei toda e qualquer iniciativa que sirva para chamar a atenção para a falta de liberdade. E foi assim que vi este meu "primeiro" dia da mulher!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência! Ou não...

Esta vida é tão corrida que me deixa pouquíssimo tempo para fazer o que mais gosto. Tenho andado ausente do blog. E com tanto para escrever...
O little P. já fez 15 meses. Começou a andar no Dia dos Namorados. Mascarou-se de pássaro e de elefante no Carnaval (que adorou!! Não sai à mãe!) e deixa-me sem ar quando sorri, quando já tenta correr para os meus braços, quando abana um não com a cabeça, quando fica feliz no infantario. Já pôs o osso de borracha do Loubie na boca e já lhe ofereceu a chupeta. É oficial! São os melhores amigos!
Quem me acompanha pelo facebook sabe que à quarta-feira vejo a Grey's Anatomy. Adoro. Vejo religiosamente há anos. Já vai na temporada 11. Estas duas semanas foram especialmente difíceis de acompanhar. Não só pela escassez de tempo que o trabalho, a elíptica ou as corridas e o instituto me deixam, como pelo próprio conteúdo da série.
Vamos aos factos:
Religiosa convicta, a April Kepner engravida do seu marido (o maravilhoso, gorgeous) Jackson Avery. Fica eufórica. Vai aumentar a família, ter um filho, fruto de um amor tão verdadeiro e sincero. Na primeira ecografia a médica (colega e ex-namorada de Jackson... Sim! Na série já todos se enrolaram com todos e convivem pacificamente com isso. Coisas de TV e cinema!) detecta uma anomalia com o feto. É assim que os médicos dizem. É apenas um feto. Não é ainda o filho de ninguém. Quase como se não fosse gente... Depois de vários exames chegam à conclusão que acabará por morrer rapidamente e a Kepner tem que tomar a decisão mais difícil da vida dela. Porque os milagres nem sempre acontecem... Às 24 semanas fazem indução do parto e sabem que sem manobras de sobrevivência, o feto (para os médicos é um feto inviável, para ela já é o Samuel Norbert Avery) acabará por morrer. É assim acontece. O feto nasce. Morre. E ela pergunta onde está o Deus no qual sempre acreditou. Onde está o bem. Porquê ela. Porquê semelhante injustiça.

Pois bem. A partir do momento em que uma mulher faz um teste de gravidez e o resultado é positivo, passa a ter um filho. Esse filho que cresce diariamente mesmo sem se ver ou sentir. Esse filho que começa a aparecer nos nossos sonhos. Esse filho que começa a desenhar-se como o mais importante das nossas vidas. Às vezes nascem, outras não. Muitos morrem antes de nascer. E para os médicos é apenas um feto. Para os pais é um filho, uma vida que se perde. Como se chama uma mãe que perde um filho? Porque perdi um pai e sou órfã. Se perder um marido serei viúva. E o que sou por ter perdido um filho? Nada! No meu caso, para os médicos, eram só fetos. Para mim eram os filhos que queria. Já fiz 4 testes de gravidez positivos. Sou mãe de 4 filhos. Tenho apenas um nos braços. Os outros três estão guardados nas gavetas escondidas das memórias. Da primeira vez os médicos disseram "é normal! Muito mais frequente do que pensa! Não se preocupe!" Da segunda "não se preocupe! Apesar de tudo é considerado normal!" Da terceira, "ah e tal vamos estudar as razões, vamos ver o que se passa. Não encontramos nada. Volte a tentar!" É caso para dizer "há bruxas boas!!"
Não queria tentar mais. Sentir um parto sabendo que não terei um filho nos braços exerce a maior violência que já senti até hoje. 
Mas engravidar para mim é demasiado fácil. E o Pedro apareceu. E nasceu! E é o melhor do mundo. O bebé mais especial. Porque quis sobreviver. Porque quis nascer. Acredito mesmo que há coisas que nos estão destinadas. Esta história estava destinada a mim. Sou mãe de 4 filhos. Tenho por eles o mesmo amor. Não há um nome para designar esta minha condição. Mas mãe chega-me. Sou mãe!
A vida continua. Até porque o Pedro não me deixa viver amarrada ao que foi. E todos os dias a esperança e a expectativa no que será é maior graças a ele. Quando me perguntam se quero mais filhos digo que não. Não explico as razões. Mas hoje apeteceu-me dizer ao mundo! Já tenho 4 filhos! Não são fetos. Não são embriões. São filhos! E TODAS as mulheres, mães (porque não existe uma palavra melhor para descrever) que perdem um filho, quer seja às 8 semanas, quer seja às 29, quer seja depois de nascer, precisam de apoio. Não é normal! Não é aceitável. São os nossos filhos! Ponto!