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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dizem que hoje é dia dos avós...

Há 3 anos escrevi assim...

"Dizem que hoje é dia dos avós, como se teimassem em escolher um dia para sentimentos nobres, para o amor entre pessoas, para ligações eternas e pilares da nossa existência. Dizem que hoje é dia dos avós e eu sou uma privilegiada. A minha avó Eduarda e o meu avô Adelino estão cá, sorriem orgulhosos dos 4 netos e babam-se de amor pelos 3 bisnetos. Levo o Pedro aos meus avós todas as semanas. Porque quero que ele reconheça os cheiros da minha infância, as mãos do colo que tive, as vozes que me embalaram. Sei que vou ter os meus avós sempre, nas minhas memórias e nas fotografias que tiro com o coração. E sei que estes corações me abrigarão para sempre, a mim é à família que construí. E que jamais deixarão de tentar almofadar o mundo para que nenhuma queda me parta... 
Disseram que hoje é dia dos avós..."

Acrescentamos uma bisneta, multiplicamos as preocupações e, sobretudo, o amor...


terça-feira, 2 de maio de 2017

"Sonhar não é um luxo"

Ontem fomos ao cinema. E isso já seria um acontecimento digno de registo (só em tom de brincadeira dizemos que temos filmes desde 1997 em atraso...) por si só. Mas a verdade é que registo este momento pelo filme em si.

Escolhemos depois de ver o trailer. Achamos que seria boa escolha. Mas, "The last face" tornou-se mesmo na melhor escolha. Vejamos:

No mesmo filme juntam-se Charlize Theron e Javier Bardem. A realização é de Sean Penn. Mas sabemos que não bastam actores bons para termos um bom filme. Esta é uma obra extraordinária, inspirada na dura realidade da Humanidade. É um autêntico murro no estômago, dado sob a forma de arte! A Charlize, que deve ser a única mulher do Universo que acorda bonita, e o Javier, que não sendo bonito tem um "je ne sais quoi" inexplicável, têm desempenhos brilhantes. São médicos em cenários de guerra, de campos de refugiados, em condições extremas. Há momentos em que poderíamos estar a assistir a um documentário. E é mesmo essa a parte assustadora. Tudo aquilo que está no filme e é mau (ou até pior) está a acontecer neste preciso momento algures no mundo. O Sean Penn já estava na minha lista de actores favoritos. Mas como realizador está a tornar-se memorável!
Chorei quase do princípio ao fim. E houve um momento, quando achava que conseguia prever a cena seguinte e estava já preparada para o pior, fui surpreendida e foi muito pior do que tinha imaginado. O filme é doloroso, porque é real. E obriga-nos a pensar. A pensar nos outros, em nós, na nossa vida e no que é importante. Saí da sala com um nó na garganta e angustiada.

Algures no filme, a Dra. Wres Peterson (Charlize Theron) diz "sonhar não é um luxo". E eu sonho com um mundo onde todos possam sonhar...

Não deixem de ver. Por cá, continuamos a conversar sobre ele e é um dos que vai para a lista para o Pedro ver um dia!

 

quinta-feira, 23 de março de 2017

O sacrifício necessário


 


Tenho tido umas semanas difíceis. E esta semana, especialmente, tem sido caótica e não tenho conseguido encontrar tempo para fazer o que me faz melhor.

Há quase uma semana que não ía ao ginásio, o que vai completamente contra tudo a que me comprometi comigo mesma. Hoje saí de casa a correr para deixar o Pedro e ir trabalhar e deixei as camas por fazer e não limpei o chão, o que não é normal. E, como já vos disse, uma vez que os cães dormem dentro de casa, limpamos o chão escrupulosamente todos os dias. Pensei no jantar quando já estava na rua e tinha um compromisso inadiável durante a tarde. Assim, decidi que hoje o Pedro ficaria até mais tarde na escola, mas que não poderia faltar novamente ao ginásio. Isso é que não! Mas depois veio o sentimento de culpa. E logo a seguir imaginei-me como a senhora da imagem (autor desconhecido) e... Nem pensar!

Não sei se já partilhei convosco, mas no início da semana coloco uma mochila no carro com equipamento para, pelo menos, duas idas ao ginásio. Assim, está sempre pronto. Quando chego a casa, tiro a roupa suja, arejo as sapatilhas e no dia seguinte o saco já está pronto. Sem desculpas!

Por acaso, o meu marido acabou por ir buscar o baby. Menos uma tarefa! Corri 6,5 kms. Corri ainda para fora do ginásio e fui à peixaria comprar uma dourada. Cheguei a casa e pus uma máquina de roupa a lavar, preparei o peixe e fui tratar dos banhos. Do Pedro e do meu. Quando cheguei à cozinha fiz uns legumes salteados para acompanhar o meu peixe. Jantamos e arrumei a cozinha. Ah! Esqueci-me de um pormenor. Quando cheguei as camas já estavam feitas e o chão limpo. Quando o cônjuge ajuda, tudo é mais fácil. Fica a dica!!! Ahahahah

Entretanto estendi a roupa e já está outra a lavar. Sentei-me finalmente com o meu filho. No "tentinho" (quentinho), como ele diz. E, olhando para o meu dia, trabalho, tarefas domésticas, jantar saudável, ginásio, amor e carinho, sinto-me como a ilustração que se segue (créditos da imagem presentes na mesma). Sou capaz de tudo, afinal. E, desculpem-me, mas não me sinto nada culpada por duas vezes por semana estar menos tempo com o meu filho. Estou certa que ele prefere ter uma mãe sã, do que uma mãe tresloucada. E o segredo está mesmo no equilíbrio entre as várias vertentes da nossa vida. Escolhas e sacrifícios necessários. Sem dramas! 


 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Regresso ou não regresso? Eis a questão!

Não tenho dedos suficientes (mesmo juntando os dedos dos pés) para contabilizar o número de vezes que pensei escrever alguma coisa. Tenho uma lista interminável de temas, frases, pensamentos que nunca cheguei a partilhar aqui. Tenho textos na pasta dos rascunhos que não terminei e, por isso mesmo, nunca publiquei. Perguntam-me vocês: "e porque desapareceste do mapa, quase sem rasto, e nunca mais escreveste nada"? Eu respondo: "não sei"!

Lá no fundo, até sei. O meu tempo livre não é muito. O meu filho exige cada vez mais atenção e eu faço questão de estar presente sempre que ele encaixa mais uma peça no seu puzzle favorito, sempre que brinca com as plasticinas, sempre que faz mais uma obra de arte (tem o mesmo talento para o desenho que a mãe: nenhum...). Durante o dia trabalho (pois... isto é só mesmo prazer e lazer) e depois de banhos, jantar, brincadeiras, quando finalmente chego ao sofá, já é tão tarde que não me apetece ligar o computador, escolher fotografias e escrever. Acabo sempre por colocar as séries e os programas de televisão à frente, porque é também uma forma de descontrair sem ter que pensar.

Mas hoje ganhei coragem. Talvez inspirada no ano novo, nos desejos que acabamos por construir na nossa cabeça, e porque acho mesmo que não devo deixar morrer este meu casulo, abandonando-o por completo. Quero regressar.  Com energia renovada. Tenho algumas ideias para esta casa onde me refugio. Mas todo este esforço só vale a pena se estiverem desse lado para "me ler".
Regresso ou não regresso??
Eu digo SIM!! E que seja um ano feliz no casulo! 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Silly Season II

Estamos a chegar ao fim de Agosto, mas eu quero acreditar que ainda vamos ter Verão por mais algum tempo. E a minha Silly Season está longe de acabar.
Está na moda falar de roupa na praia. Todos têm opinião sobre que tipo de roupa deve vestir-se na praia. Especialmente em França, onde a polémica se instalou no sul graças ao burkini. Mas se para os franceses é melhor uma mulher despida do que uma mulher tapada, há quem prefira as mulheres bem tapadas.
Isto do corpo sempre foi um tabu. E hoje ao ler esta magnifica história (que é magnífica de tão normal e despreocupada) na plataforma feminista capazes fiquei com a sensação que devia mesmo escrever sobre isto.
Vamos então por partes, já que se trata de um assunto sério, apesar de só ter vontade de rir nesta minha Silly Season:
1. O corpo. A liberdade. Não gosto de mostrar o meu corpo em público. Mas isso sou eu. Nunca fiz topless nem nudismo. Mas isso até talvez seja por achar que estou muito longe de ter o corpo perfeito e não conseguir lidar abertamente com isso. Talvez esteja na hora de me tratar... Quem sabe? Mas não me afecta rigorosamente nada que o façam. Nem me afecta estar por perto. Por outro lado, sou daquelas pessoas que se despe em casa e é capaz de andar toda nua. Somos assim lá em casa. E até sou daquelas mães que considera importante que os filhos vejam os corpos tal como são. Por isso ninguém se tapa, ninguém se tranca quando vai à casa de banho, muito menos quando está a tomar banho. Nada disso! O corpo é o mais natural que temos. O meu pai também não tinha problemas em andar nu em casa e isso não desviou o meu comportamento no que a pilas diz respeito (acho eu)!!
Assim sendo, sou mesmo adepta da liberdade de cada um para vestir o que lhe apeteça. Na praia e sem ser na praia. Ponto!!
2. Já fui a países muçulmanos onde não podia estar de bikini, a não ser na praia privada do hotel. Deus me livre se me pusesse de bikini num lugar público... Mas no ocidente se alguém não muçulmano, que não possa apanhar sol, aparecer na praia todo vestido, ninguém manda tirar a roupa, pois não? O que me parece razoável é que não possamos andar por aí de cara tapada. Isso, confesso, faz-me alguma espécie. Não conseguir identificar o rosto de alguém não me parece bem. Nem aqui nem em lugar nenhum... E se sou obrigada a identificar-me em alguns lugares (como aeroportos, por exemplo) e sou revistada, então uma mulher muçulmana deve se-lo também (já vi algumas a passarem de burka, cara tapada e sem revista...). Agora o que alguém leva para a praia vestido ser alvo de legislação, parece-me mesmo um desvio absoluto à nossa liberdade... Mas tirem-me os panos da cara, senhoras!!
3. No meu condomínio, quando o Verão começou, começamos a ir para a piscina. Uma das minhas vizinhas faz topless. E eu não estaria a escrever sobre isto não fosse o ridículo que aí vem. Preparados?? Uma das famílias (aquela que descrevi na Silly Season I, como não poderia deixar de ser...) sentiu-se indignada com o topless da vizinha. Se calhar as mamas são um assunto tabu. Ou se calhar supõem que o pensamento do filho, que tem uns 8/9 anos, vai começar a ser pecaminoso por olhar todos os dias para as mamas da vizinha... Enfim, não sei o que lhes passou pela cabeça, mas um belo dia, decidiram enviar uma mensagem de indignação a outra vizinha, talvez com o intuito que ela falasse com a "pecadora" do topless. Até podiam sentir-se incomodados, mas também podiam ir conversar com a senhora, que ainda por cima é bem educada e receptiva ao diálogo... Ou podiam oferecer-lhe um burkini...
Ainda a Silly Season vai a meio e eu já estou cansada!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

É Natal! E depois?

Quem me conhece sabe que o Natal, na minha perspectiva, é interior, é espiritual. É tempo de reflexão, tranquilidade, paz. Estaria a mentir se dissesse que não gosto de presentes e coisas bonitas. Mentiria ainda mais se dissesse que não gosto de mesa farta e bom vinho. Visto-me a rigor e maquilho-me de propósito. Mas o que gosto mais, mais, mais, é de estar bem. De me sentir feliz com quem faz parte da minha vida. 
Conheço pessoas que fazem verdadeiros "fretes" nesta época. Vão a casa de uns e outros e quando regressam a casa só conseguem abrir a boca para dizer mal da cunhada, do primo, da namorada do sobrinho ou da sogra. Há quem não entenda a minha posição. Mas eu também não entendo a de alguns. Por isso, e porque a minha noite vai ser com quem amo e com quem me ama, desejo a todas as pessoas que me lêem um Natal com muito amor, com muita paz e tranquilidade e que a vida, o pai Natal ou o menino Jesus vos traga tudo o que mais desejarem. 
Beijinho,
Ana

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Segundo Aniversário do Baby

Dia 18 de Novembro o meu baby P. fez 2 anos. E que fase gira esta dos 2 anos. Para já fala muito, mas não entendemos nada porque ele só diz o fim das palavras, como por exemplo, Papá Is (Luís é too much para ele)! No momento de decidir o que faria no aniversário, ponderei a hipótese de voltar a fazer a festa no SAOM, onde foi o baptizado e a festa do primeiro aniversário. Adoro o lugar, adoro as pessoas, adoro a comida e adoro a vertente social associada. Mas achei que uma festa mais cosy, mais íntima, em casa, ficaria bem também. Como ele ainda não pede nada, decidi que este ano o tema ainda seria eu a escolher. Fácil! Queria qualquer coisa baby boy, fofinho, sem grandes cores, até porque, tenho aqui um palpite, no próximo ano não me livro dos super heróis, ou do Mickey, ou dos Minnions...
 
Quando penso numa festa, penso logo nos pormenores. Comecei a fazer uma lista de convidados (20 a 30 pessoas), uma lista de comida e fornecedores. Entrei em contacto com todos e assim nasceu esta história.
 
A primeira pessoa que contactei foi a PAOLA. A Paola é vizinha da minha mãe (foi assim que a conheci) e é uma doceira de mão cheia. Sabem aqueles bolos caseiros, que fazem lembrar as tardes de Domingo em casa dos pais? São os bolos da Paola. E faz brigadeiros, e docinhos, e tortas, e tartes... Enfim! Tudo o que faz é bom! A Paola fez o bolo que o Pedro levou para a escola para festejar com os amiguinhos (ao qual não tirei fotografia) e fez o bolo para o jantar de dia 18, já que estabelecemos a tradição de jantar sempre cá em casa no dia do seu aniversário com os padrinhos dele. A festa fica para o sábado seguinte... E, garanto-vos, a Paola está contratada para os próximos anos!!!
 


 
 
 
Depois contactei a SOFIA Santos da Cunha (os Bolos da Sofia), que faz o melhor bolo de Nutella e framboesas do Universo. Como o meu querido marido é o maior fã de Nutella que eu conheço e ama este bolo, achei que ele merecia um docinho especialmente a pensar nele! Há por aí fãs de Nutella? Então este é O bolo...

 
 
Descobri no facebook a Salpicos de Amor. Como? Não faço ideia! Mas entrei em contacto com a Andreia e, de acordo com o que falei com ela, ela deu a ideia de fazer a silhueta do Pedro para o tema da festa. Foi o que fizemos. Além disso a Andreia foi uma querida. Primeiro porque teve paciência para "aturar" as minhas dúvidas e ansiedades, depois porque foi ao encontro daquilo que eu queria e do que entretanto tinha comprado para a festa (guardanapos, palhinhas, etc.), respeitando os tons que eu fazia questão de ter (são os tons do quarto do Pedro...). E o resultado foi este:

 
 
O bolo de aniversário para a festa, bem como as bolachinhas e os cake pops são da autoria da Cláudia, da umdiafeliz, sendo que um dia muito feliz tive eu quando a conheci e outro ainda mais feliz tivemos quando vimos a obra de arte que ela nos preparou. Além da beleza, aos olhos de todos, o bolo, as bolachas de baunilha e os cake pops estavam divinais... Como já tinha comprado guardanapos e copos em chevron cinzento e branco e as cores que queria usar eram o cinzento e o azul bebé, o resultado final foi este. Não ficou lindo? Ficamos fãs e clientes!
 



 
Os húngaros em forma de Mickey (com e sem chocolate) que vêem na fotografia são do meu pão quente de eleição: pão quente de Canidelo, onde compro o pão de água (o melhor), os húngaros (os melhores que já comi em toda a minha vida), e a bôla, feita com a massa do pão de água e que todos adoram!!!

Os balões, copos, guardanapos, palhinhas, foto kit (sim! Houve foto kit e divertimo-nos a tirar fotografias de bigode e óculos...) são da Docinho de Açúcar, loja online que funciona lindamente e tem coisas giríssimas. Espreitem! Vão adorar!

 
 


Os salgados foram todos da De Gostar (degostar.refeicoes@gmail.com), que eu adoro!!!
As bebidas foram limonada, morangada e chá de frutos vermelhos com canela (cortesia da minha comadre...).



Mais pormenores? Fitas, toalhas imaculadas e muito boa disposição e amor para receber os convidados!

 
 


sábado, 3 de outubro de 2015

Habemos artista

Há uns anos a minha mãe começou a pintar. Desde sempre teve a paixão pelo desenho, pelas artes. Nunca tinha explorado essa vocação, até que um dia se decidiu e começou a frequentar aulas. As paredes de minha casa estão repletas de quadros da Luz (assim se chama a minha mãe e assim assina as suas obras de arte). Gosto! Muito!
 
Mas ultimamente a minha mãe decidiu começar a pintar retratos. Através de uma fotografia, começa a pintar. A preto e branco ou a cores. E ficam maravilhosos. Claro está que vou "encomendar-lhe" um da família. E já tenho um espaço para ele...
 
Deixo-vos aqui duas fotografias. Aliás, dois quadros da minha mãe. Autênticas fotografias!
 
Porque a minha mãe tem um talento e uma vocação que merecem ser partilhados e divulgados...

 
Os meus avós. A fotografia original é a cores, mas por uma questão de tons de pele, a minha mãe decidiu pintar a preto e branco. Se soubessem o que eu gosto deste quadro. O que eu amo a avó Eduarda e o avô Adelino...

 
O meu bisavô. A fotografia original é uma fotocópia deste quadro. Lindíssimo!!
 
Não acham que merece um gosto na sua página recente de facebook?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nova vida... Amanhã! Amanhã!

E porque as lágrimas teimam em atravessar-me o coração. E eu continuo a sentir um vazio gigantesco... 
Não sei porquê. Mas talvez porque o Loubie tenha sido o meu primeiro verdadeiro familiar de 4 patas. Não o tratava como uma pessoa. Ele era um cão. Mas era um cão que fazia parte da família. E, como diz a minha amiga Anabela, o Loubie era um cão à nossa medida. O que eu sonhei com ele. O que ele ultrapassou as expectativas...

Amanhã começa um novo mês. E amanhã preciso, porque sim, que comece uma nova vida.

Ontem perguntei ao Pedro pelo Loubie e ele respondeu-me "Ai! Ai! Ai!", que é o que ele diz quando se magoa ou quando alguém está doente. Eu disse-lhe que tínhamos que dizer "xau!" ao Loubie porque ele tinha ido embora. E ele respondeu-me "Não! Não! Não!"

Amanhã, porque sim, tem que começar uma nova vida. Aquela em que o Loubie fica nas nossas memórias, aquela em que ele permanece nos nossos corações, aquele em que aceitamos e processamos a perda. A vida continua, mas para já, em slow motion, com dor, tristeza e lágrimas!

Sometimes Life sucks!

domingo, 30 de agosto de 2015

Loubie

Hoje era para ser um dia feliz. Estou mesmo certa que hoje o dia amanheceu para ser feliz. Mas não foi!

O Loubie estava doente e internado. Tivemos que levá-lo para o Hospital. Teve que ser submetido a uma cirurgia. E, apesar de tudo, o coração não resistiu e foi embora.

Sim! Hoje tinha amanhecido para ser um dia feliz, mas o Loubie deixou-nos. Nestes meses o Loubie ensinou-me o que era ter um cão em casa. Acho até que já tinha escrito isso aqui. O Loubie era nosso. O Loubie era nosso, assim do coração. Ele obrigou-me a pesquisar sobre comportamentos, alimentação natural, doenças, o melhor para ele. E sim! Foi ele que me obrigou. Porque ele era especial. Não ladrava, não fazia asneiras, não se queixava. Talvez por isso não tenhamos percebido mais cedo que ele precisava de mais alguma coisa. Talvez! Mas não sei! O que sei é que em nossa casa ele teve amor. Teve a atenção que nunca tinha tido. Teve o carinho que não fazia ideia que existia. As nossas rotinas estavam estabelecidas para o Pedro e para ele. E agora temos que aprender a viver outra vez. O Loubie foi entrando de tal forma na nossa família que parecia que sempre esteve aqui. Ele connosco. Nós com ele. Na quinta-feira o Pedro abraçou-se a ele sem parar. Sem ninguém dizer-lhe nada ele passava pelo Loubie e abraçava-o. E o meu coração tirou fotografias sem fim...
Na nossa memória ficarão as férias. Foram os melhores dias da vida do Loubie. Esteve connosco 24h/dia. Aprendeu que a natureza dele o fazia atirar-se para a água. Aprendeu que afinal até sabia nadar. Aprendeu a apanhar a bola em pleno vôo antes de mergulhar. Aprendeu a sair da piscina e a voltar a atirar-se. Foi à praia e mergulhou no mar. Foi feliz. Teve festas e mais festas e mais festas. Era um mimalhão. E agora a trela está pendurada, a casota está no jardim e o espaço dele aqui dentro está vazio. Aquele lugar só dele, de onde ele nos olhava a pedir festas e mimos! Perguntaram-me no Hospital se queria vê-lo. Não quis. Não quis ver a cicatriz da cirurgia. Não quis vê-lo deitado sem respirar. Não quis vê-lo de olhos fechados. Quero pensar nele com energia, a correr pelo jardim, a acompanhar-nos nas caminhadas e corridas, a apanhar a bola, a comer de um fôlego só, a abanar o rabo quando eu chegava a casa. O Loubie é assim. E só assim quero tê-lo na minha cabeça e no meu coração. Deixei-o lá para ficar melhor, mas não o trouxe...

O Loubie chegou em Dezembro de 2014 e hoje, dia 29 de Agosto de 2015, com 3 anos apenas, foi embora. E, como sabem, "o valor das coisas não está no tempo que elas duram. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Pessoa). E talvez por isso, estes meses sejam inesqueciveis, o que sinto pelo Loubie seja inexplicável e o Loubie seja incomparável... Não tenho palavras. Apenas lágrimas e vazio!